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No estudo da Bíblia, um termo toma seu significado do contexto e do seu uso habitual através de toda a Bíblia. Em regra geral, o contexto tem a prioridade, e se existe uma dúvida acerca dele, se toma o uso habitual para determinar o significado dentro dum versículo específico. Assim é como se procede com os termos numa investigação doutrinal. Quando finalizarmos o estudo terminológico de dikaioo, veremos claramente porque se usa a frase declarados justos, e não feitos justos.
Nos seguintes exemplos se destacarão as palavras que traduzem o verbo grego dikaioo:
“Evidentemente, grande é o mistério da piedade Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito,..”(1 Timóteo 3:16)
O texto se refere a Cristo. A encarnação foi sua manifestação física. Ser justificado pelo Espírito se refere provavelmente a sua ressurreição. De qualquer maneira, o Espírito não justificou Cristo, pois Ele já era justo, sendo Deus encarnado. O testemunho do Espírito através da ressurreição e 12 dos milagres de Jesus, justificou ou vindicou que este era Quem afirmava ser.
“porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” Mateus 12:37
Neste caso, dikaioo contrasta com condenação, portanto significa “absolvição”.
“De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado. Romanos 3:4
Este versículo refuta a acusação de que Deus não cumpre suas promessas. Paulo esclarece que o homem não respeitou as condições dadas por Deus, portanto perdeu os benefícios prometidos. Deus não se faz justo por suas
Próprias palavras: Deus é justo. A corrupção do homem vindica que o juízo de Deus é justo.
“E todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido batizados com o batismo de João, justificaram a Deus.” (RC) Lucas 7:29
O versículo diz justificaram a Deus. O povo não “fez Deus justo”. Só reconheceram que Deus é justo.
“Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos..” Lucas 7:35
A sabedoria não é “feita justa,” senão que se mostra assim pelos resultados.
“tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”. Romanos 3:26
Aqui emprega o substantivo dikaios, que significa um justo ou pessoa justa. A palavra Ele, se refere a Deus que conseguiu a redenção de maneira justa, não que Deus se fez justo.
A seguir, vejamos alguns textos da Septuaginta, sem comentário:
“Quando houver contenda entre alguns, e vierem a juízo para que os juízes os julguem, ao justo justificarão e ao injusto condenarão.” (RC) Deuteronômio 25:1
“De palavras de falsidade te afastarás e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio” Êxodo 23:7
“ouve tu nos céus, e age, e julga teus servos, condenando o perverso, fazendo recair o seu proceder sobre a sua cabeça e justificando ao justo, para lhe retribuíres segundo a sua justiça.” 1 Reis 8:32
Daí que, segundo vários léxicos, dikaioo seja definida como:
Louw & Nida: “O ato de livrar alguém de sua transgressão; absolver, libertar, tirar a culpa, absolvição.”
Thayer: “Declarar sem culpa a um acusado; declarar, pronunciar que alguém é justo, inocente.”
Gingrich: “Justificar, vindicar, tratar como justo; ser absolto, ser declarado e tratado como justo.”
Léxico do Novo Testamento, Sociedades Bíblicas Unidas: “Pôr em relação correta; absolver, declarar e tratar como justo…”
A evidência mostra que a justificação é uma declaração legal feita por Deus. Sendo assim, por definição, a justificação está totalmente ligada à lei. A única à que se poderia referir-se a Bíblia é à lei moral de Deus no Antigo Testamento, resumida nos Dez Mandamentos.
Imaginemos Deus declarando: “Tu não quebraste nenhum dos meus mandamentos”.
A terminologia legal pode parecer muito fria. Para São Paulo, a justificação foi um tema muito comovedor, pois envolve o perdão de pecados. Vejamos a maneira com o afirma: “Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado”. Romanos 4:7-8
Devido que o pecado é uma transgressão da lei (1 João 3:4), fica claro porque é essencial uma declaração legal de Deus para poder reconciliar-nos com Ele.
“e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.” Romanos 5:11
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Sobre o assunto também indico o livro “Lei e Graça em Paulo”, autor Peter Stuhlmacher, da editora Vida Nova, o capítulo I faz uma profunda análise sobre o termo justificar, este livro será utilizado em postagens posteriores, por tratar da “Nova Perspectiva Paulina”.


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"O Justo sobre a cruz é o único ponto de contato entre o pecador e o poder salvador de Deus."
(Lewis Sperry Chafer)